Custo das peças e queda dos juros encarecem seguro de carros

As altas serão de 2% a 8% dependendo da seguradora

A tradicional hora de renovar as apólices de seguro de carro em 2012 será uma experiência particularmente desagradável para o cliente: o preço vai ficar mais caro. As altas serão de 2% a 8% dependendo da seguradora.

O aumento é a arma para contra-atacar uma combinação perversa, que ameaça corroer os resultados da carteira de automóveis das seguradoras no fim do ano e ao longo de 2012: aumento do custo das indenizações em algumas empresas e competição acirrada durante boa parte de 2011, que jogou os preços para baixo e fez mal aos resultados das empresas. Também contribui para o encarecimento das apólices, a partir de agora, a redução do resultado financeiro das seguradoras, conforme cai a taxa de juros, o que força a uma melhorias no desempenho operacional.

A subida nos preços do seguro de automóveis marca a reversão na trajetória de queda dos valores das apólices, que era a tendência predominante no primeiro semestre de 2011. Com as vendas de veículos novos – principal motor do crescimento de seguros de auto – perdendo fôlego ao longo do ano, as seguradoras disputaram nos centavos o mercado, jogando os preços para baixo.

“A concorrência muito forte segurou a correção de preços em 2011″, diz Marcelo Sebastião, diretor do Porto Seguro Auto, líder de mercado quanto computadas também as marcas Azul e Itaú. Segundo ele, o mercado está fazendo “ajustes medianos”, de 2% a 3% no preço, e deve seguir nessa intensidade de aumento no ano que vem.

O cenário competitivo foi um dos fatores que diminuiu a expansão do mercado segurador de carros em 2011. O ritmo de crescimento dos prêmios recuou dos 15,6% registrados nos primeiros sete meses de 2010 (na comparação com 2009) para 7,8% no mesmo período de 2011, quando somou R$ 14,2 bilhões. Os dados são os últimos disponíveis na Superintendência Nacional de Seguros Privados (Susep).

No grupo segurador Banco do Brasil e Mapfre, a intensidade do encarecimento foi maior que na Porto, ficando entre 4,5% e 5%, diz Jabis Alexandre, diretor-geral de automóveis da seguradora. “Não posso afirmar que chegamos ao limite do aumento”.

Segundo Alexandre, o que pesou nos resultados foi o aumento na sinistralidade do grupo, que pulou de 55,8% em janeiro para 61,2% em outubro. A sinistralidade mede o percentual dos prêmios usado para pagar indenizações. Por trás dessa alta está a inflação nos custos das peças de reposição somada à escassez da mão de obra para manutenção de veículos, o que aumentou o custo médio das indenizações – que entre janeiro e outubro de 2011 subiu 8,6%.

Tanto a SulAmérica quanto a Porto Seguro também tiveram aumentos na sinistralidade de veículos, concentrados no terceiro trimestre. Na SulAmérica, o índice foi de 62,1% no terceiro trimestre de 2010, para 68,1% no mesmo período de 2011. Na Porto – com os dados consolidados de Itaú e Azul – o índice passou de 57,6% para 61,2% na mesma comparação.

O terceiro fator que puxou os preços foi a queda na taxa de juros básica da economia a partir de agosto. “O apetite dos preços é regulado pela taxa de juros”, disse Arthur Farme D’Amoed Neto, vice-presidente de relações com investidores da SulAmérica. “Quando está em alta, ajuda a seguradora a compensar a perda operacional com o resultado da reserva”. As seguradoras fazem aplicações financeiras de suas reservas.

O presidente da Chubb do Brasil, Acacio Queiroz, concorda que os juros em baixa devem forçar as seguradoras a buscar novas formas de recompor o resultado. “Os juros se deteriorando no ano que vem serão o agravante do aumento dos preços”, diz. “Mais de 70% das seguradoras dependem mais do resultado financeiro do que das operações de seguros”. A própria Chubb já colocou em curso um programa de enxugamento de cerca de R$ 5 milhões em despesas operacionais. Além disso, reajustou os seguros de carros em 8%.

A Bradesco Seguros também acredita que 2012 será um ano de ajustes no ramo de automóveis. “Aposto que as seguradoras terão que buscar um aumento, um equilíbrio nas contas”, diz Fernando Cheade, superintendente executivo da Bradesco Auto. Ele acredita que a inflação das peças de reposição deve ficar sob controle, mas que o fator climático pode aumentar o peso das indenizações. “Os fenômenos climáticos estão mais frequentes e mais severos.”

 

Fonte: Valor Econômico

Fonte: http://gristecblog.wordpress.com/?p=1090&preview=true%20target=_self

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